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Cirurgia Disabsortiva   ::   Balão Intragástrico  ::  By Pass Gástrico

>> Apresentação Geral

A cirurgia bariátrica deve, em primeiro lugar, ser bem diferenciada de algumas técnicas da cirurgia plástica. Não estão incluídos nesta especialidade procedimentos estéticos como lipo-aspiração, lipo-redução, dermolipectomia, e outros do gênero.
De um modo geral, a perda de peso pode ser obtida por dois caminhos: pela redução da capacidade de armazenamento do estômago e de sua velocidade de esvaziamento (cirurgias restritivas), ou pela exclusão de grandes segmentos de intestino delgado evitando que os nutrientes sejam absorvidos (cirurgias disabsortivas).

Atualmente existem dezenas de técnicas diferentes para tratar o problema do grande obeso. Infelizmente não existe a cirurgia absolutamente perfeita que se encaixe em todos os casos; cada técnica possui vantagens e desvantagens que devem ser analisadas em cada paciente de acordo com suas expectativas e prioridades, observando-se suas características pessoais como idade, sexo, raça, grau de obesidade, hábitos alimentares, nível sócio-cultural e perfil psicológico-comportamental. Durante a avaliação médica o cirurgião e o paciente decidirão juntos qual a melhor alternativa.

No Centro de Cirurgia da Obesidade, adotamos quatro técnicas cirúrgicas já bem difundidas em nosso meio. Todas as cirurgias são realizadas tanto por via convencional como por laparoscopia, a não ser a banda gástrica que só é realizada por videolaparoscopia. São elas: Banda Gástrica, By-Pass Gástrico (Capella) e Cirurgia Disabsortiva. O Balão Intragástrico é colocado colocado por endoscopia.

Atualmente, 70% dos nossos pacientes são operados pela gastroplastia à Capella. Esta técnica é a mais realizada em todo o mundo e amplamente conhecida como bypass gástrico.

Quantos quilos se perde com a Cirurgia ?

Após a cirurgia observa-se uma progressiva perda de peso que vai até cerca de 2 anos, quando o peso tende a se estabilizar. Na maioria dos pacientes a perda de peso varia entre 50 e 75 % do excesso de peso, com uma média de 63 % para a banda gástrica e de 75 % para as cirurgias de Capella e Scopinaro. Nos primeiros seis meses a perda costuma ser mais intensa, com a maior parte do resultado sendo obtido no primeiro ano, mas podendo melhorar um pouco mais até o quarto ano após o procedimento, principalmente no caso da banda gástrica, onde a perda é mais lenta e prolongada. Na nossa casuística de banda gástrica, onde o peso pré-operatório era 125 Kg, a perda foi de 34 Kg, adquirida nos primeiros dois anos, perdendo ao final do terceiro ano 38 Kg. Isso equivale a 63 % do excesso de peso e 32 % do peso total. Já no grupo dos pacientes submetidos à cirurgia de Capella, a perda média foi de 47 Kg em dois anos, o que representou exatamente 75% do excesso de peso ou 43% do peso inicial. Além da resposta final mais intensa, a perda inicial foi mais rápida que na banda. Apesar de as diferenças de médias não serem tão gritantes, quando analisamos os subgrupos de resposta, observamos que a variação da resposta nos casos de cirurgias restritivas foi muito maior que no bypass gástrico de Capella, não havendo insucesso de perda de peso nessa série. O mesmo não se pode afirmar da banda gástrica, onde a resposta é mais dependente do comportamento individual de cada paciente.

Obviamente o comprometimento de cada paciente, idependentemente da técnica, ingerindo alimentos de baixo teor calórico, e introduzindo a prática do exercício físico, irá aumentar a quantidade de peso perdido, bem como acelerar ainda mais o tempo de retorno à faixa de peso normal. Portanto, se não houver um compromisso do doente no sentido de seguir as orientações médicas, evitando principalmente exageros com os doces, a gordura e o álcool, a perda de peso pode ser comprometida. Outro aspecto importante de se lembrar é que a velocidade e a intensidade da perda de peso é muito variável de pessoa para pessoa, com alguns pacientes perdendo muito rapidamente, e outros com uma tendência a uma perda mais arrastada. Embora sempre exista uma grande ansiedade para se atingir o peso desejado, a maioria dos pacientes permanecerá com algum excesso de peso, variando de acordo com o peso pré-operatório e as modificações promovidas nos hábitos de vida. O gráfico acima mostra a evolução do peso médio dos nossos pacientes nos primeiros três anos após a cirurgia.

Cirurgia por Videolaparoscopia ou Aberta ?

Com o sucesso na cirurgia de vesícula, a Videolaparoscopia ganhou grande popularidade na cirurgia geral, passando a ser utilizada em diversos outros procedimentos. Neste caminho, a cirurgia bariátrica também encontrou o seu lugar, passando a ser realizada através de Técnicas minimamente invasivas. Trata-se de procedimentos onde são utilizadas cerca de cinco pequeninas punções pelas quais são introduzidos os instrumentos para realização da operação e uma micro-câmera para visualização da cavidade abdominal e seus órgãos. Pelo fato de não precisar realizar grandes incisões, muitos dos inconvenientes de uma cirurgia convencional são reduzidos. O paciente pode portanto obter uma alta mais precoce, com menos dor pós-operatória, minimizando a possibilidade de complicações sobre a parede abdominal e acelerando o retorno às atividades do dia-a-dia. A primeira a ser empregada, no campo da cirurgia bariátrica, foi a banda gástrica ajustável. A banda gástrica começou a ser realizada em 1992 na Europa e ganhou popularidade pela sua simplicidade e segurança na abordagem laparoscópica; atualmente quase não é utilizada por via aberta.

Por outro lado, o bypass gástrico (cirurgia de capella) e a cirurgia de Scopinaro ainda são muito utilizadas no mundo pela via aberta, embora cresça a cada dia o número de adeptos da via laparoscópica. São técnicas mais complexas ao serem realizadas "por vídeo", que requerem muito mais experiência e treinamento laparoscópicos. Ainda não se pode dizer que a via laparoscópica traga mais segurança que a via aberta, porém a recuperação e o retorno às atividades normais são bem mais rápidos, reduz-se muito o risco de hérnias incisionais, seromas e infecção da ferida operatória. No Centro de Cirurgia da Obesidade, utilizamos a via laparoscópica em todas as operações de banda gástrica e na grande maioria das casos de Capella e Scopinaro, porém cada caso é analisado individualmente.


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