| 23/04/05
- Ultimo Segundo - IG
Artigo analisa como eficazes as cirurgias para redução
de estômago
Uma análise de vários
estudos dá esperança aos 1,7 bilhão
de obesos do mundo, já que sugere que a maioria
dos que se submeteram a cirurgias apresentou uma perda
de peso real e melhoras nos quadros de diabetes e hipertensão.
A revista "Journal of the American
Medical Association" (JAMA), que publica a análise,
trata esta semana da obesidade, um problema que afeta
um número crescente de pessoas em todos os países,
segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS).
Segundo Philip James, presidente do
Grupo Internacional de Trabalho sobre a Obesidade, o
número atual de 1,7 bilhão de obesos é
"50% mais alto que os cálculos anteriores
e indica que a maioria dos governos simplesmente ignora
um dos maiores riscos para a saúde da população
mundial".
De acordo com a OMS, uma pessoa é
definida como obesa quando tem um índice de massa
corporal igual ou superior a 30. Já alguém
com entre 25 e 30 de índice de massa corporal
é considerada dona de um excesso de peso.
Por sua vez, a Organização
Pan-americana de Saúde (OPS) põe a obesidade
na lista das doenças crônicas não
transmissíveis, associada a estilos de vida não
saudáveis, e sustenta que é "uma
doença crônica e um fator reconhecido de
risco de muitas outras doenças".
"A epidemia de obesidade explica
os níveis crescentes de doenças não
transmissíveis, das quais haverá uma verdadeira
explosão nos próximos 20 anos", segundo
Arne Astrup, da Associação Internacional
para o Estudo da Obesidade, que reúne cerca de
10.000 médicos, cientistas e profissionais da
saúde de 44 países.
"É fundamental adotar um
enfoque mais sério para o tratamento do grande
número de pessoas obesas, e também pôr
em prática medidas para evitar que o problema
se agrave", acrescentou Astrup.
Embora haja a influência de fatores
genéticos na obesidade, a maioria dos especialistas
concorda que a alimentação e a prática
de atividades físicas são fatores maiores
que deveriam ser considerados para a prevenção
e o tratamento da doença.
O artigo da JAMA, patrocinado pela empresa
Ethicon Endo-Surgery, uma filial da multinacional Johnson
and Johnson que se dedica à venda de produtos
para cirurgias, resume uma análise de 136 estudos
publicados entre 1990 e 2003 que incluem 22.094 pacientes
submetidos diferentes tipos de cirurgia bariátrica,
como a de redução do estômago.
Em todos esses estudos, 19% dos pacientes
eram homens e 72,7% mulheres com idade média
de 39 anos. O índice médio de massa corporal
de 16.944 pacientes era de 46,9 antes da intervenção
cirúrgica.
Os pesquisadores observaram o impacto
da cirurgia bariátrica sobre a perda de peso,
a morte como resultado da operação e quatro
transtornos relacionados à obesidade: diabetes,
hiperlipidemia, hipertensão e apnéia obstrutiva
durante o sono.
Em sua análise, os pesquisadores
observaram que a perda média de excesso de peso
foi de 61,2% para todos os pacientes, com 70,1% para
os que foram submetidos a uma operação
bilio-pancréatica ("costura" duodenal)
e 61% para os submetidos a uma gastroplastia.
A morte em conseqüência da
cirurgia até 30 dias após a operação
foi de 0,1% para os procedimentos simplesmente restritivos
("banda" gástrica e gastroplastia),
de 0,5% para os de derivação gástrica
e de 1,1% para os de "costura" duodenal.
O diabetes foi completamente tratado
em 76,8% dos casos e desapareceu ou melhorou em 86%.
A hiperlidemia, isto é, níveis
elevados de colesterol e triglicerídeos no sangue,
melhorou em 79% ou mais dos pacientes.
Segundo a análise dos estudos,
a hipertensão foi resolvida em 61,7% dos casos,
e a apnéia obstrutiva durante o sono desapareceu
ou melhorou em 83,6% dos pacientes.
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