Obesidade
infantil e redução de estômago
Marcio Wirkus - Assessoria de Comunicação
SPMB
Nunca se falou tanto em obesidade infantil.
Com razão, esse problema já é considerado
uma epidemia global pela organização mundial
da saúde. No mundo, de cada dez crianças,
uma está acima do peso! No Brasil, respeitando
algumas diferenças regionais, temos mais obesos
que desnutridos. Em Santos (SP), uma pesquisa estudou
crianças de escolas da rede pública e
privada e constatou que 33% delas estavam acima do peso
saudável.
Esse fato merece a atenção
das autoridades de saúde, pois crianças
que estão com sobrepeso ou obesas apresentam
riscos importantes para a sua saúde atual e futura.
Apnéia do sono, hipertensão, resistência
à insulina e alteração nas gorduras
do sangue são apenas alguns exemplos, não
esquecendo do terrível sofrimento emocional que
os jovens obesos encontram numa sociedade cada vez mais
exigente com a boa forma e aparência.
Estudos longitudinais, que acompanharam
crianças desde os primeiros anos de vida até
completarem 70 anos ou mais, mostraram que aquelas que
eram obesas tiveram mais que o dobro de doenças
cardiovasculares ao longo da vida, quando comparadas
com aquelas que tinham um peso adequado. Esse fato,
por si só, justifica que hoje, quando estamos
diante de uma criança com obesidade, temos a
obrigação de melhorar seu peso, para prevenir
problemas graves na vida futura.
A grande questão é: como
fazer isso de uma forma segura, eficiente e saudável?
Existem duas grandes diferenças entre um obeso
adulto e pediátrico. As crianças estão
em fase de crescimento e não são responsáveis
pelo seu estilo de vida.
Assim, qualquer proposta séria
para essa população tem que respeitar
essas características. É com grande preocupação
que vemos um aumento da indicação de cirurgia
bariátrica para crianças. O grande argumento
é que elas já tentaram de tudo, nada funcionou
e que se nada fosse tentado elas acabariam morrendo.
Talvez aqui tenhamos apenas uma parte da verdade!
Um tratamento padrão e eficaz
para obesidade infantil implica em modificar os hábitos
da criança e de toda a família. Reeducação
alimentar, atividade física e mudanças
comportamentais, dentro de um ambiente positivo, de
acolhimento, compreensão e cumplicidade entre
todas, costuma trazer excelentes resultados. Além
da família, a escola também tem um papel
vital na prevenção e manejo da obesidade.
A criança passa ali boa parte do dia, faz pelo
menos uma refeição, tem ótimas
oportunidades de aprender sobre estilo de vida saudável
e gastar energia. Será que operar o estômago
de uma criança obesa, não é tentar
resolver numa sala de cirurgia o que não conseguimos
solucionar na sala de jantar ou na sala de aula? Como
especialistas em obesidade infantil, somos os primeiros
a reconhecer que estamos diante de uma doença
grave, de difícil manejo e que a prevenção
ainda é a melhor proposta.
Reconhecemos ainda que a cirurgia da
obesidade é um recurso terapêutico válido
e excelente para obesos adultos, graves, com indicação
correta e principalmente quando efetuada por centros
experientes, com acompanhamento multiprofissional no
pré e no pós-operatório.
A questão aqui é esgotar
todos os recursos científicos reconhecidos antes
de operar uma criança, que vai passar os próximos
50 ou 60 anos com seu aparelho digestivo gravemente
modificado, sem que se conheça essas conseqüências
a longo prazo, tanto do ponto de vista físico
como emocional. É próprio do ser humano
buscar uma saída fácil, quase mágica
para seus problemas. Com a obesidade não é
diferente.
Estamos convencidos de que com uma real
participação da família, com uma
escola preocupada em ser um ambiente saudável
e com um tratamento multidisciplinar, composto por especialistas
em nutrição infantil, psicólogos,
profissionais da atividade física, lançando
mão dos recursos médicos mais modernos,
podemos controlar essa grave patologia, evitando, assim,
uma intervenção cirúrgica, que
deixa de ser um ato médico, para ser uma atitude
desesperada.
Nataniel Viuniski - Pediatra e
nutrólogo, é supervisor do Espaço
Leve - Núcleo de Prevenção e Tratamento
da Obesidade
Infanto-Juvenil, de São Paulo. Autor do livro
"Obesidade Infantil - Um Guia Prático"
Fonte: Assessoria de Comunicação
SPMB
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